
Sempre tive problemas com a palavra tolerar, na verdade tenho aversão a ela! A palavra Tolerância me remete à mesma etimologia da palavra aguentar, portanto, tolerar tem o sentido de suportar, o que, de modo algum parece adequado ao convívio humano. Se tolero alguém, não o respeito, apenas o aguento, suporto-o, enquanto me for conveniente ou pelo tempo que eu resistir. Talvez daí venha o pouco ou nenhum respeito à fé, ou falta dela, de cada um, talvez venha daí o fato de não sabermos conviver pacificamente com o diferente, com aquele que não é como eu, que vive com outros valores, com outros parâmetros.
O caso da estudante universitária ameaçada por centenas de pessoas em São Paulo me remete à palavra tolerância. Tolero o outro enquanto me é conveniente. Quando isso, de alguma forma, me incomoda, ultrapasso o limite da boa convivência e me dou o direito de agir como bem entender. Não há como negar que foi isso que a turba formada na universidade fez. Para quem não sabe, a moça foi com um vestido tido como inconveniente ou ofensivo à moral e aos bons costumes dos puristas. Não sou purista, nem puritano, também não vim ao mundo para julgar ninguém, muitos menos sou candidato a santo. Já fiz muitos comentários maldosos sobre roupas alheias e sei que também devo ter sofrido com diversos comentários. Comentar, criticar, até mesmo criar pequenas piadas entre amigos, por mais errado que seja, faz parte da alma humana, quando isso passa para a agressão, para a violência, começa um problema.
A moça em questão foi com um vestido considerado curto demais para frequentar o ambiente acadêmico. Foi barrada na entrada da faculdade? Não! Algum professor pediu para que se retirasse e vestisse algo mais adequado? Não! O que se viu foi uma monstruosidade.
Professores e alunos aumentando um burburinho, criando uma rede de ódio e violência que culminou com o encurralamento da moça em uma das salas de aula da faculdade. Do lado de fora, algo em torno de setecentas pessoas, iradas, agressivas, tentando algo. Que algo? O que fariam se porta fosse aberta? Linchariam a moça, arrancariam seu vestido e a deixariam apenas em trajes sumários? Agrediriam? Alguém teria a idéia brilhante de estuprá-la para mostrar que ela era culpada?
Li alguns relatos de estudantes da dita faculdade que disseram que mais parecia um culto de intolerância religiosa, como se ninguém nunca tivesse usado roupas mínimas e outras moças da mesma faculdade não fossem com roupas tão ou mais ousadas. Note-se que estamos falando de uma instituição que deveria formar advogados, engenheiros, administradores, professores, médicos, psicólogos que ajudem o outro, que façam do mundo um lugar melhor, mas qual o quê? Que trabalho com o ser humano deve ser feito em um local como este? Forma-se profissionais de alto nível, doutos, acadêmicos, competentes profissionalmente, mas e os seres humanos? E os cidadãos?
Não, isso não é função das academias, não é função das escolas, formar cidadãos é bonito escrito nos projetos políticos pedagógicos, é bonito escrito nas missões, mas na prática ninguém está preocupado com isso, afinal temos que ensinar o conteúdo, o currículo tem que ser cumprido!
Lembro-me do personagem de Robin Willians em Sociedade dos Poetas Mortos, de Kevin Kline em Clube do Imperador e, sobretudo, de Sidney Poitier em Ao Mestre com Carinho e Morgan Freeman em Meu Mestre Minha Vida, professores que mais do que conteúdos, ensinavam vida aos seus alunos, que mais do que um profissional sabiam ensinar seus alunos a serem...humanos...
Para Denise, que sonha por um mundo melhor comigo
Give me the horizon
O caso da estudante universitária ameaçada por centenas de pessoas em São Paulo me remete à palavra tolerância. Tolero o outro enquanto me é conveniente. Quando isso, de alguma forma, me incomoda, ultrapasso o limite da boa convivência e me dou o direito de agir como bem entender. Não há como negar que foi isso que a turba formada na universidade fez. Para quem não sabe, a moça foi com um vestido tido como inconveniente ou ofensivo à moral e aos bons costumes dos puristas. Não sou purista, nem puritano, também não vim ao mundo para julgar ninguém, muitos menos sou candidato a santo. Já fiz muitos comentários maldosos sobre roupas alheias e sei que também devo ter sofrido com diversos comentários. Comentar, criticar, até mesmo criar pequenas piadas entre amigos, por mais errado que seja, faz parte da alma humana, quando isso passa para a agressão, para a violência, começa um problema.
A moça em questão foi com um vestido considerado curto demais para frequentar o ambiente acadêmico. Foi barrada na entrada da faculdade? Não! Algum professor pediu para que se retirasse e vestisse algo mais adequado? Não! O que se viu foi uma monstruosidade.
Professores e alunos aumentando um burburinho, criando uma rede de ódio e violência que culminou com o encurralamento da moça em uma das salas de aula da faculdade. Do lado de fora, algo em torno de setecentas pessoas, iradas, agressivas, tentando algo. Que algo? O que fariam se porta fosse aberta? Linchariam a moça, arrancariam seu vestido e a deixariam apenas em trajes sumários? Agrediriam? Alguém teria a idéia brilhante de estuprá-la para mostrar que ela era culpada?
Li alguns relatos de estudantes da dita faculdade que disseram que mais parecia um culto de intolerância religiosa, como se ninguém nunca tivesse usado roupas mínimas e outras moças da mesma faculdade não fossem com roupas tão ou mais ousadas. Note-se que estamos falando de uma instituição que deveria formar advogados, engenheiros, administradores, professores, médicos, psicólogos que ajudem o outro, que façam do mundo um lugar melhor, mas qual o quê? Que trabalho com o ser humano deve ser feito em um local como este? Forma-se profissionais de alto nível, doutos, acadêmicos, competentes profissionalmente, mas e os seres humanos? E os cidadãos?
Não, isso não é função das academias, não é função das escolas, formar cidadãos é bonito escrito nos projetos políticos pedagógicos, é bonito escrito nas missões, mas na prática ninguém está preocupado com isso, afinal temos que ensinar o conteúdo, o currículo tem que ser cumprido!
Lembro-me do personagem de Robin Willians em Sociedade dos Poetas Mortos, de Kevin Kline em Clube do Imperador e, sobretudo, de Sidney Poitier em Ao Mestre com Carinho e Morgan Freeman em Meu Mestre Minha Vida, professores que mais do que conteúdos, ensinavam vida aos seus alunos, que mais do que um profissional sabiam ensinar seus alunos a serem...humanos...
Para Denise, que sonha por um mundo melhor comigo
Give me the horizon




